A reunião proposta pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, com os candidatos presidenciais, está marcada para esta terça-feira (26.11).

conversa entre os presidentes

 

A reunião proposta pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, com os candidatos presidenciais, está marcada para esta terça-feira (26.11).


"O candidato presidencial Daniel Francisco Chapo, da FRELIMO [Frente de Libertação de Moçambique], confirmou a participação no referido encontro, reafirmando o seu compromisso na promoção da estabilidade política no país", lê-se numa nota do partido, enviada hoje à agência noticiosa Lusa.


O candidato presidencial Ossufo Momade, líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), também disse que aceita o convite, desde que participem os quatro candidatos presidenciais. À DW, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) confirmou igualmente a presença do seu presidente, Lutero Simango, no Palácio Presidencial.


E Venâncio Mondlane? O candidato apoiado pelo Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), que se considera o "verdadeiro vencedor", propôs um diálogo alargado, que, além dos quatro candidatos presidenciais, inclua representantes da sociedade civil.

Em entrevista à André Mulungo, oficial do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), saúda a proposta.

DW África: Como avalia este encontro dos quatro candidatos presidenciais, proposto pelo Presidente da República, Filipe Nyusi?

André Mulungo (AM): É importante isto ter acontecido e é importante também ter convidado os candidatos presidenciais para o diálogo, para se ultrapassar este momento. O que se pode discutir agora é como o diálogo vai acontecer. Há uma proposta de Venâncio Mondlane, e os outros participantes também podem colocar as suas propostas.


Mas o encontro pode terminar encalhado se cada uma das partes apresentar as suas propostas e mantiver o seu posicionamento. Venâncio Mondlane, por exemplo, insiste que ganhou as eleições, e um dos seus pontos principais é a reposição da verdade eleitoral, mas Daniel Chapo, que já aceitou fazer parte do diálogo, também diz que ganhou as eleições.


São posicionamentos que, a serem mantidos, podem condicionar o avanço do próprio diálogo.

DW África: E há outra questão que está por resolver: as garantias de segurança ao candidato Venâncio Mondlane. O que se pode esperar neste aspeto?

AM: Como sabe, há processos movidos pela Procuradoria-Geral da República e, nesse sentido, presume-se que haja mandados de busca. Se Venâncio Mondlane [entrar] em território nacional pode ser detido. Além disso, ele teme pela sua vida – Mondlane denunciou que tem sido alvo de ameaças, e essa questão também pode condicionar [o diálogo.]

DW África: O candidato Venâncio Mondlane propôs um diálogo alargado que, além dos quatro candidatos presidenciais, inclua representantes da sociedade civil. Concorda com essa proposta?

AM: Perfeitamente. Para mim, o grande mérito dos resultados das eleições de 9 de outubro, mesmo que contestadas, é que, pela primeira vez, nós conseguimos eliminar um vírus do nosso sistema a que chamamos de "FRENAMO".


Desde 1992, as principais questões políticas moçambicanas eram tratadas pela RENAMO e pela FRELIMO. Portanto, tem mérito esta proposta de Venâncio Mondlane de alargar o debate para que o país não fique refém de duas pessoas ou de duas forças políticas. É importante que este debate não seja conduzido apenas na lógica dos partidos políticos.

Na sua proposta, Venâncio Mondlane elenca, além dos partidos políticos, as confissões religiosas ou a própria academia. Portanto, parece haver um consenso aqui em Moçambique de que esta proposta de Venâncio Mondlane é muito oportuna, porque Moçambique não pode ser discutido por duas pessoas – deve ser discutido por todos os moçambicanos.

DW África: Já referiu que Daniel Chapo confirmou que estará na reunião, reafirmando o seu compromisso com a promoção da estabilidade política no país. Mas o que dizer do papel do líder da RENAMO, Ossufo Momade?

AM: Ossufo Momade e a RENAMO tornaram-se irrelevantes. As figuras mais importantes [neste diálogo] serão Daniel Chapo e Venâncio Mondlane.


Mas a sociedade civil e as confissões religiosas também desempenharão um papel muito importante, para tentar equilibrar e buscar moderação entre estas duas figuras, que me parece que vão entrar com posições muito extremadas.

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